O eixo microbiota-intestino-cérebro desvendando a relação entre disbiose e a fisiopatologia da esquizofrenia
Resumo
A esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico grave de etiologia multifatorial, com evidências recentes destacando o papel do eixo microbiota-intestino-cérebro em sua fisiopatologia. Esta revisão integrativa buscou sintetizar as evidências atuais sobre a relação entre disbiose intestinal e esquizofrenia. Foram analisados 38 estudos, incluindo pesquisas metagenômicas, ensaios clínicos e modelos experimentais com transplante de microbiota fecal (FMT). Os resultados demonstram uma assinatura microbiana recorrente na esquizofrenia, caracterizada pela redução da diversidade alfa, enriquecimento de Veillonella e depleção de produtores de ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs), como Roseburia e Faecalibacterium. Tais alterações correlacionam-se com desregulação de vias metabólicas e neuroquímicas, incluindo níveis alterados de AGCCs no plasma e desvio do metabolismo do triptofano para a via da quinurenina. Estudos de FMT fornecem evidência causal, demonstrando que a disbiose pode transferir fenótipos comportamentais e neuroquímicos relacionados ao transtorno. Identificou-se que essas alterações microbianas promovem neuroinflamação e comprometimento da barreira hematoencefálica. Portanto a modulação da microbiota intestinal representa uma estratégia terapêutica promissora, embora ainda sejam necessários mais estudos para validar intervenções como psicobióticos e biomarcadores microbianos em ensaios clínicos robustos.
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