Conflito trabalho–família e desigualdades de gênero
evidências e implicações contemporâneas
Resumo
Esta revisão integrativa teve como objetivo analisar a produção científica recente sobre o conflito trabalho–família sob a perspectiva das desigualdades de gênero, identificando fatores associados, impactos psicossociais e organizacionais e lacunas na literatura. A busca foi realizada nas bases SciELO, Web of Science e Google Acadêmico, considerando artigos publicados entre 2010 e 2026. Após aplicação dos critérios de elegibilidade, 16 estudos compuseram a amostra final. Os resultados evidenciam que o conflito trabalho–família constitui um fenômeno multidimensional, influenciado por exigências laborais, responsabilidades familiares, normas culturais e condições organizacionais. As desigualdades de gênero permanecem centrais, com maior sobrecarga feminina decorrente da persistência da divisão sexual do trabalho e das demandas de cuidado, especialmente durante a parentalidade. Políticas de flexibilidade e apoio institucional podem reduzir o conflito, porém sua efetividade depende de mudanças culturais e da corresponsabilidade no cuidado. Conclui-se que o conflito trabalho–família é socialmente estruturado e requer intervenções organizacionais e socioculturais orientadas à equidade de gênero.
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